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A unidose, distribuição de medicamentos nas farmácias em doses variáveis conforme o caso, tem sido assunto de discussão políca. É pacífico que o utente iria poupar, ao deixar de comprar medicamentos a mais do que o que necessita. Mas as coisas não são assim tão simples.
Abstendo-me de me referir a interesses económicos, a unidose acarreta um grande problema: a ausência da embalagem. Sim, da simples embalgem. É que é nesta que está contida informação que TEM que ser fornecida ao utente, como o nome do medicamente, princípio activo e prazo de validade. Referindo-nos aos comprimidos, é bastante complicado que isto estivesse tudo nos blisters. Por outro lado, para os idosos, a caixa do medicamento é muitas vezes a referência que têm de qual o medicamento a tomar (conhecem-nos pela caixa e não pelo nome).
Contudo é bastante óbvio que não faz sentido comprarmos uma caixa de 20 comprimidos quando o tratamento só necessita de 8. Parece-me então que a solução deverá passar por uma maior diversidade de tamanhos de caixas dos medicamentos, e por uma atenção do médico em prescrever aquela que melhor se adequa ao caso.
E vocês, o que acham?
Um dos meus maiores medos nesta questão da unidose é o dos erros. Segundo li ou ouvi dizer, não me lembro, os erros com medicação são, nos EUA, uma causa de morte relativamente substancial.
Os farmacêuticos ao aviarem os medicamentos por vezes enganam-se e as pessoas ou não tomam o correcto, prejudicando a "cura" ou, pior, tomam algo contra indicado.
Concordo contigo ao dizeres que a melhor solução passará por doses "standard" destinadas a tratamentos tipificados.
Há vários países que têm este sistema: Inglaterra e Suécia, que me lembre. Penso que as indicações importantes são todas escritas no rótulo. Por outro lado, a maior parte das pessoas que toma um ou vários medicamentos regularmente acaba por os tirar das caixas e andar com os blisters atrás, o que nem sempre é muito seguro (já vi casos em que o prazo de validade só está marcado na caixa e não no blister). Além disso, acho também que os idosos (e os outros!) os conhecem mais pela cor do que outra coisa, caixa incluída, e que sem uma rotina muito bem estabelecida (de preferência com uma segunda pessoa a deitar um olho de vez em quando) dá sempre asneira de vez em quando.
Em resumo, parece-me muito boa ideia e acho que não são as caixas que resolvem o problema dos enganos.
Tenho que investigar como funciona o sistema na Inglaterra e Suécia, desconhecia que já tivessem adoptado.
Mas lobito, acredite que não. Deparo-me com imensos idosos, muitas vezes analfabetos, que apenas os conhecem mesmo pela caixa.
Tenho dúvidas é se o preço não iria aumentar... é que sabem que se há alguém que tem que ficar a perder, será sempre o zé povinho.
A forma mais fácil de evitar os erros seria levar adiante a uniformização de sistemas informáticos clínicos e farmacêuticos. A clínico enviaria directamente a estes a receita, com a dose, o tipo de tratamento, as necessidades especiais do utente, etc. Isto existe, está pronto a ser aplicado...mas as politiquices falam mais alto.
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