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    • lobito
    • 18 Março 2010 editado
     # 1

    Porque estou farta de ler notícias miserabilistas e enviesadas como esta (no mínimo, exigia-se que mencionassem também que há indicadores superiores à média da UE a 15):

    http://www.cmjornal.xl.pt/Noticia.aspx?channelid=F48BA50A-0ED3-4315-AEFA-86EE9B1BEDFF&contentid=C715F36F-B405-419C-B287-AB90BEDD6686&h=2

    deixo aqui (em inglês) o relatório da OMS propriamente dito:

    http://www.acs.min-saude.pt/files/2010/03/WHO-Evaluation-NHP-Final-March16.pdf

    É chato, sobretudo a segunda parte, mas dá para ler em diagonal.

  1.  # 2

    A saúde em Portugal vai melhor do que se pensa. Há diversos indicadores que o mostram e um deles é um bastante contestado: o número de médicos. De facto temos um número de médicos/habitante superior a grande parte dos parte dos países desenvolvidos (e as manhãs que se passam no centro de saúde à espera que apareça algum doente são prova disso). Estão é mal distribuídos... Mesmo esse pânico geral que está imposto pela reforma de 300 médicos, posso estar enganado, mas não me parece que tenha esse grande impacto que querem fazer crer. Há uns anos realmente seria preocupante, mas actualmente estão a ser formados médicos suficientes por ano para colmatar este número. As vagas têm aumentado bastante todos os anos (acompanhado de um decréscimo consequente da qualidade de ensino, mas isso é tema para outro tópico), actualmente têm entrado mais de 1000 estudantes todos os anos.

    Adiante, obviamente, muita coisa corre mal também. Inclusive médicos que só passam nos serviços públicos para "picar o ponto", claro que existem. Mas também existem muitos e muitos que, garanto-vos, fazem bastante mais horas do que o suposto.

    Um dos grandes problemas é, parece-me, o relativo mal funcionamento da medicina geral e familiar (MGF) que deve ser o primeiro contacto do doente com o SNS e é, provavelmente, o que gera uma pior opinião geral acerca deste. Além de mal localizados e distribuídos, possuem um défice de funcionalidade por falta de meios, espaço e competências. Além de que a crença comum de que um médico de família "só serve para passar receitas e atestados" diminui a confiança, logo o acesso, das pessoas a eles, e torna-a uma especialidade um pouco bastarda: o que sucede actualmente é que a maior parte dos estudantes vai para MGF quando não conseguem entrar em nenhuma outra especialidade (sim, porque a MGF É uma especialidade, ao contrário do que a maior parte pensa. Um médico quando sai da universidade não é automaticamente "médico de família"). Em países nórdicos, pelo contrário, a MGF é das especialidades mais respeitadas, é lhe reconhecida a sua importância.

    Não estou a conseguir abrir o relatório da OMS, presumo que seja problema do meu pc. E de resto, Correio da Manhã (e não só) rima demasiadas vezes com "enviesada" e "miserabilista".

    • isa
    • 21 Março 2010 editado
     # 3

    Carlos

    Desde que iniciamos as nossas "discussões" que é a primeira vez que estamos de acordo :tongue:

    Concordo com tudo o que escreveste e continuo a dizer que existem bons e maus profissionais em todo o lado.
    E acrescento que é uma pena que os nossos profissionais de saúde não queiram ir trabalhar para fora das grandes cidades onde são tão necessários, muitas das vezes por comodismo e outras vezes( a maior parte) pela falta de condições de trabalho.

    E se o nosso ensino continua conforme está, julgo que nem quando saímos da pré- primária estamos preparados para o que quer que seja
    (agora é a minha parte pessimista a falar ... :evil_invert:)

  2.  # 4

    Pois, mas se fosse so o Correio da Manhã... As vezes tenho a nitida sensação que uma grande parte dos artigos sobre saude em Portuga, em todos os jornais, mesmo os mais conceituados, são "plantados" (sobretudo os artigos sobre o crescimento imparavel do sector privado, etc e tal).

  3.  # 5

    isa, seja médicos, engenheiros, seja o que for, ninguém quer ficar no interior. Actualmente existe um prémio no ordenado para os recém licenciados que se quiserem fixar em hospitais/centros de saúde do interior, mas nem assim conseguem. Mas não é só na diferenciação interior/litoral que se verifica isto. Mesmo entre instituições do litoral há muita discrepância entre a disponibilidade de médicos.

    lobito, vendem mais notícias a falar mal, do que a falar bem (aliás, estas nem são notícia). Assim sempre se pode dizer mais vezes o famoso cliche "é o país que temos...". Notícias sobre saúde, regra geral são para ignorar. Na parte da qualidade, é o que já discutimos. Na parte das descobertas, vocês nem imaginam as distorções da informação acerca de novos estudos/descobertas/tratamentos, que os jornalistas generalistas fazem.

  4.  # 6

    Olá... Estou a estudar Gestão e Administração de Serviços de Saúde em Tomar, e como vem sendo necessário tenho tomado atenção às temáticas relacionadas com saúde.
    A verdade, e convergindo com o que aqui já foi dito, não acredito que haja falta de médicos em PORTUGAL. Existe sim falta de médicos no sector público. Tenho conhecidos que trabalham num bom hospital privado e dizem-me que estão fartos de receber curricula de médicos que querem ir para lá trabalhar. Aliás! Se alguem precisar de ser atendido por um médico neste exacto momento, não espera nada. É logo atendido. Basta é pagar. E bem!
    Acho por isso importante que existam critérios de distribuição dos RH na saúde e de acordo com os habitantes em questão. Mas como existe um grande proteção em relação aos médicos, tanto por parte da Ordem dos médicos como da própria população, será um pouco difícil legislar nesse sentido...

  5.  # 7

    Já fui utente do SNS, fui atendida por um médico que me disse "então o que se passa?, diga lá" e comecei a falar, não é que sua excelência entretanto fazia um telefonema para o mecânico a perguntar se o carro estava pronto, e para a empregada a mandar fazer um arroz de marisco!!!.Que me dizem, é bom profissional? eu digo-vos, É UMA BESTA QUADRADA, MUITO BOA TARDE

 
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